Centro de Estudos e Protecção do Património da Região de Tomar

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Gruta do Caldeirão

A GRUTA

Antecedendo a atual entrada na cavidade, existe uma plataforma exterior virada a sul que faria parte da rede cársica que entretanto abateu, mas que continha vestígios de ocupação arqueológica. O acesso à gruta faz-se por uma entrada que comunica de imediato com uma galeria em meandro. A cavidade divide-se em três sectores principais: entrada, corredor e sala do fundo, a que apresenta maior potência de sedimentos (c. 6 metros). Escavações arqueológicas efetuadas ao longo dos anos 80 e 90 do século XX revelaram uma longa diacronia de ocupações que se inicia no Paleolítico Médio (tecnocomplexo Musteriense) e termina já em época medieval.
Durante a Pré-história antiga (Paleolítico Médio e Paleolítico Superior) a cavidade serviu como acampamento temporário regularmente visitado por pequenos grupos de caçadores-recolectores que ali deixaram testemunhos da sua principal atividade: ossos dos animais caçados nas proximidades e as armas e ferramentas em pedra utilizadas no seu abate e processamento. Desta história mais antiga destaca-se a ocupação atribuída ao tecnocomplexos Solutrense (Paleolítico Superior) pela quantidade e diversidade dos vestígios líticos e faunísticos ali documentados. Posteriormente, no decurso da Pré-história recente e da Proto-História, a gruta foi utilizada como cemitério de comunidades de agricultores-pastores. Destaca-se, em particular, a ocupação funerária datada do Neolítico Antigo - enterramentos individuais acompanhados por espólios votivos, com destaque para as cerâmicas cardiais e os elementos de adorno sobre concha de água doce (Theodoxus fluviatilis) - que viria provar, pela primeira vez, que as mais antigas evidências de domesticação no território português eram, afinal, contemporâneas dos mais recentes vestígios de época mesolítica documentados nos vales do Tejo e do Sado, tendo servido de alicerce ao desenvolvimento de diversas teses sobre o processo de neolitização (origem e dispersão) à escala peninsular.
A atividade funerária na cavidade prolongou-se no tempo, com restos humanos e espólios votivos (em pedra, osso, cerâmica e metal) atribuídos às fases mais recentes do Neolítico, à Proto-História, ao período romano e visigótico.
Infelizmente, a enorme profusão de enterramentos efetuados no interior da cavidade ao longo de vários milénios acabaria por provocar remeximentos significativos nos depósitos arqueológicos, sendo difícil interpretar, com rigor, os rituais funerários praticados e associar espólios a enterramentos.

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A entrada da gruta em 1980

A gruta do Caldeirão abre-se num maciço calcário muito carsificado entre o Agroal e o Prado. O maciço localiza-se na vertente norte de um pequeno vale apertado, perpendicular ao rio Nabão, freguesia da Pedreira, concelho de Tomar que corre a escassos 400 metros a Este, e a cavidade é constituída por uma galeria estreita em meandro.
É conhecida pelos habitantes das povoações vizinhas por Gruta do Caldeirão, nome que lhe advém do topónimo Alto do Caldeirão, mas também por Gruta da Raposa ou Gruta do Texugo.

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A entrada da gruta após escavações

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A entrada da gruta em 2018

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Centro de Interpretação da Pedreira: Gruta do Caldeirão, Observatório do Nabão e Mostra Etnográfica


Local onde reune num mesmo espaço físico as três vertentes: histórica, paisagística e cultural

Situado no centro histórico da aldeia da Pedreira.

As Grutas mais importantes são: a Gruta do Caldeirão, a Gruta do Cadaval e a Gruta das Andorinhas. Neste Centro desta-se a exposição de réplicas de alguns objetos encontrados nestes locais, fotografias e textos explicativos, bem como um video sobre o interior da Gruta do Caldeirão. A Zona do Vale do Nabão, inserida na Rede Natura 2000, é de grande riqueza natural evidenciada através de painéis com fotografias e com recurso a ferramentas de multimédia. Em parceria com o Rancho Folclórico "Os Canteiros da Pedreira", que ao longo de vários anos veio reunindo um espólio dos usos, costumes e vivências das pessoas da Freguesia da Pedreira, encontram-se mobilados uma cozinha, um quarto e sala de jantar tal qual os nossos antepassados o terão feito.

Centro de interpretação da Pedreira

Actualmente o CEPPRT encontra-se em trabalhos de desobstrução num algar adjacente à gruta, com prespectivas de ligação entre as duas cavidades.

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